Falo-vos dos refugiados,
Mas não dos que fogem da miséria
E sobrevivem na baldeação da morte,
Nem dos que se refugiam na morte.
Falo-vos dos que se refugiam em si,
Blindados na insensibilidade,
Consolando-se porque morrem longe,
Sem que lhes atrapalhem os feriados
Nem engarrafem o trânsito.
Falo-vos de refugiados outros,
Dos que dormem saciados,
Entre carícias e cobertores,
Apartados do que é humano.
Falo-vos dos autossuficientes,
Dos que começam no nada
E terminam nas próprias peles,
Refugiados do próximo e da vida,
Contabilizando os dias,
Esperando a morte chegar.
Francisco Costa
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