sexta-feira, 28 de junho de 2013

EM BALDEAÇÃO

Fascínio que se consuma no ato
E no ato se alça tudo, irremediável
Aprisionamento de mim fascinado,
Explorando litorais de carne, salinas
Gotículas de encanto ensolarando
O que não se pode permanente
Porque só nela, acidente ardendo
Enluarados beijos, em carícias
Só dela, agitação de ondas vorazes
Molhando-me perplexo na areia.

É praia. Manhã de domingo, dia
De festa aos olhos, gaivotas em voo,
Pios dispersos na cama e em mim
Desarvorado, parvo apaixonado
Diante do seu corpo nu, arquitetura
Que tudo irreleva e reduz a nada,
Pura imaginação de nauta à deriva,
Navegando seu ser que embriaga,
Entorpece, droga, reduz a instintos.

Ei-la fascínio, sedução, borboleta
Sem asas, adejando voos
De não se sabe de onde, para onde,
Em baldeação rápida, temporária,
Entre esse instante e o nunca mais.

Francisco Costa

Rio, 12/06/2013.

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