quinta-feira, 22 de agosto de 2013

CARDIOCOLETIVO

Alvora-se meu coração
Em intenção das mais puras,
Habitar cada coração.

Que eu me veja  e me tenha
No corpo da moça distraída,
Entre a espera e bilhetes de amor,
Certa de portas que se romperão
Para a passagem de príncipes.

No menino enamorado, em ânsia
Do que já não se pode só, e só,
Habita na dimensão da poesia,
Contando pétalas e pássaros.

Nos soldados em descanso,
Aguardando novos combates,
Para que eu lhes cante canções de paz,
Obrigue a depor as armas e o ódio,
Por naturalmente desnatural.

Em corpo ancião, carcomido e tosco,
Esculpido pelo formão do tempo
Pelas goivas do cansaço, da marreta
Que impôs perdas de lascas, pedaços
Que se fizeram suor e lágrimas
Hidratando as novas gerações.

E no corpo corrupto que amealha,
Subtrai, corrompe, expropria
Para que nele eu plante arrependimento
E remorso, e o reinaugure coisa nova
Em partilha com o sol e as estrelas.

Assim, cardiocoletivo não mais serei só,
Mas fio a mais num tecido chamado
Humanidade.

Francisco Costa

Rio, 21/08/2013.

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