quinta-feira, 22 de agosto de 2013

BIOGRAFIA ESQUISITA

Ele era o dono da bola,
O que tinha vaga certa no time,
Para que houvesse jogo.

Em lance duvidoso,
Prevalecia a vontade dele,
Para que não fosse embora
E levasse a bola.

Nunca batia ou apanhava,
Porque em cumplicidade
Com meninos maiores
Ou seus pais em queixas
Acampados em nossos portões.

De pouco namoro
Porque retraído, reduzido
Às próprias masturbações.

Na escola, era o que tomava conta,
Quando a professora saía de sala,
Anotando o nome de quem conversava.

Casou-se logo, com a primeira
Que se ofereceu, prenda
Única e perfeita, no feitio.

Fez concurso público,
Garantindo estabilidade,
Garantia de aposentadoria
E pouco trabalho.

Nunca se envolveu com política,
Coisa menor e sem cabimento,
Ocupação para desocupados.

Viveu na sombra,
O sol queima e incomoda.

Nunca pariu versos,
Só cultuou versículos,
Burocraticamente.

Agora, por falta do que fazer,
Fica teclando no face,
Pedindo golpes militares.

É uma biografia coerente.
Pena que indecente.

Francisco Costa

Rio, 21/08/2013.

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