terça-feira, 2 de julho de 2013

EM PAIXÃO

Se o amor, esse chantagista totalitário,
Sem princípios e sem pudores,
Já o assaltou e subverteu, embebedando,
Apontando versos, crianças e flores,
Anunciando alvoradas claras, mornas,
Ainda que de inverno, chuvosas e frias.

Se a ansiedade e a urgência o cingem
Em aperto de coração pronto à doação,
E já mais nada importa e tudo incomoda
Porque miúdo, pouco diante do adiante
Apontando beijos de não ter fim
E posses definitivas, orgasmos coloridos
E sorrisos permanentes, amanhecidos
Do injustificável acampado em você.

Se as horas agora correm lentas
E cada minuto é oportunidade de espera,
Vai ao florista mais próximo e saca o cheque:
Há guirlandas, arranjos, buquês... Flores,
Essas coisas coloridas e aromáticas,
Feitas para espalhar pétalas e forrar camas.

Francisco Costa

Rio, 28/06/2013.

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