sábado, 30 de novembro de 2013

DESTRO AMIGO

Acho engraçadíssimo o amigo.
Ele pensa que Gramscy
É uma verdura tenra e doce,
Da família da alface, e Marx,
Um sargento alemão
Encarregado de fuzilar judeus.

Sem dinheiro, nem eira ou beira,
Repete o discurso da direita,
Defendendo privilégios de ricos
E a própria manutenção
No umbral dos excluídos.

Ocasionalmente lê do crime
Passional cometido na esquina
E um ou outro versículo bíblico,
O que lhe dá autoridade e poder
Para discutir tudo e sobre tudo,
Imune e acima de estatísticas,
Teses, pronunciamentos, leis...

Pede ditaduras... Pela democracia.
Prisão e tortura, mortes, em nome
De Nosso Senhor Jesus Cristo,
Aleluia!

Tudo o que o contraria ou contesta
É mentira de comunistas, invenção
De assalariados da esquerda
Disseminando o ódio e a violência.

Seriam engraçados, pândegos,
Se não fossem perigosos.

Foram os desse tipo que mataram,
Baniram, exilaram, torturaram,
Devidamente lobotomizados
Pelos economistas do império
Que os transformaram em robôs
Vigiando os cofres internacionais.

Não é verdade que mijam nos postes
E dão cambalhotas no zoológico.
Aí já é calúnia.

Francisco Costa

Rio, 26/10/2013.

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