sábado, 20 de julho de 2013

CONVITE

Morda-me sem cerimônia,
com sofreguidão de lacerar
entre esganiçados gemidos
e revirar de olhos.

Dispa-te, da roupa e do pudor,
E deita-te a a meu lado.

Tenho um punhado de estrelas,
Alguns segredos, muitos medos
E são todos teus, eu te dou.

Eu sei do segredo dos pássaros,
Eles me ensinaram a voar,
A ver do alto o que se esconde,
E escondido se faz pequeno.

Vem que também me ensinaram
Que as asas dos homens
São ocasionais e passageiras,
E têm outro nome: sexo.

Vem porque quero te mostrar
Que o chão é estranho e sem graça.

Francisco Costa

Rio, 19/07/2013.

OS "NORMAIS"

No hiato entre o aplauso e o apupo
Regeneram-se  intenções ocultas,
Feitas de silêncios grávidos de sons.

No que quer não dorme a vontade.
Antes, delineia-se verdade o adiante.

Este o segredo, o querer constante.

Os que prenderam os sonhos no sono
Nasceram para viver o pesadelo
De não conhecer o aplauso e o apupo,
De estarem mortos no silêncio,
Em resignação de quem dorme e espera.

O quê?

Francisco Costa

Rio, 09/07/2013.