segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

QUASE RÉQUIEM

Amanhã,
Quando os poetas estiverem mortos,
Chico e Milton, Caetano e Gil, Ivan,
Quem cantará as dores dos que virão?

Quem desfraldará o violão,
Musical arma despejando munição
Em forma de palavra e canção?

Quem mastigará as futuras dores,
Mascando-as beleza no enfrentamento,
Anestésicos para o sofrimento,
Pão de todos nós, desde todo o sempre?

Quem fará a trilha sonora do futuro
E arregimentará conscientes?
Quem rebaterá a pirotecnia com poesia?

Nossos poetas estão velhos,
Aposentando canções novas,
Querendo passar o bastão,
Mas há falta de mãos.

Amanhã será dia de funk e gospel,
Bregas chiques e sertanejos,
Máscaras para o silêncio instaurado,
Com um povo triste nos bailes da vida,
A dançar, dançar, dançar, dançar...
No ritmo último da utopia substituída
Pela opção única imposta a ferros:
Dançar, dançar, dançar, dançar...

Até que nasçam poetas novos,
Para atravessar com músicas novas
O ritmo consentido e alienado.

Sem poetas nada faz sentido,
É um dormir sem sonhos,
Um dormir acordado.

Francisco Costa

Rio, 25/01/2017.

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