sexta-feira, 27 de setembro de 2013

De cabeça oca
E coração cheio,
Os dedos nervosos,
Prontos às teclas,
Quero um poema
E ele não vem.

Vasculho ideias,
Escaneio a memória,
Palmilho imagens.

Entre a intenção e o gesto
Contemplo-me falência
Regurgitando o nada.

Meus poemas ,
Distantes e inaudíveis,
Me abandonaram.

Francisco Costa

Rio, 22/09/2013.

CONVERTIDO

Senhor, eis-me aqui,
Cabisbaixo e arrependido,
Em oração e preces,
Atendendo ao meu pastor,
Líder dessa ovelha perdida.

Prometo não mais contestar,
A aceitar o que me é imposto,
E me comportar, acatar,
Sem questionamento ou resistência,
Em total resiliência, o que é natural.

Contrito, combaterei todos os males
Que me assolaram, diabólicos e maus:
A minha sexualidade, vórtice de pecados,
A minha indisciplina social, manifestação
Demoníaca em curso, contagiante
E desnecessária porque tudo perfeito.

Prometo pagar o dízimo, fazer ofertas,
Defender os Seu ungidos e porta vozes
Das línguas satânicas que só enxergam
Roubo, corrupção, enriquecimento ilícito,
Estelionatos sobre incautos, desonestidade.

Far-me-ei combatente do mal
Em permanente atividade:
Contra os homossexuais,
Comunistas, esquerdistas,...
Pautando-me só pela palavra,
Traduzida com exatidão pelo meu pastor.

Não importa o que de mim dirão,
Estarei sempre em oração, afinal
As caravanas ladram e os cães passam.

Francisco Costa

Rio, 18/09/2013.