domingo, 1 de janeiro de 2017

Não, menina, não chore,
Tenho ainda alguns sonhos
E carícias para lhe dar.

Aconchegue-se em mim,
Esponja de secar lágrimas,
Para que permaneçam em mim
Molhado do que lhe incomoda
E desgasta, faz triste assim.

Tenho versos, borboletas,
Cores desconhecidas, música,
Muita matéria que me encanta
E vai encantar você também.

Vem, amparemo-nos doces,
Confiantes, em identidade tanta
Que sorriremos e choraremos
Juntos, como se fôssemos um.

Vem. Vem que a idade não tarda
E a tarde logo anoitecerá escura,
Tornando-nos apartadas estrelas,
Distantes o bastante
Para que não faça sentido
Eu dizer pra você: vem!

Francisco Costa

Rio, 17/12/2016.

SONHO DOCE

Agora o meu coração viaja longe,
Por páramos de sempre sorrisos,
Peito nu, cabeça na chuva gelada,
Um menino provendo horas, dias
Com o que havia de mais bonito.

Livre do que nos impede íntegros,
Flano livre, quase etéreo, leve e só,
Como solitária ave em último vôo,
Etapa última da rota migratória,
Senhora de si e do espaço azul,
Acortinando sonhos e histórias.

Não há agonias nem escombros,
Correntes, rangeres de dentes
Porque tudo flui perfumado e doce,
Para apoteose dos sentidos atentos,
Quando todos acreditam sonolentos,
Entre o adormecer e o acordar.

Francisco Costa

Rio, 17/12/2016.