domingo, 5 de abril de 2015

Orgia de instintos,
Ela não se basta em si,
Em permanentemente
Busca de complemento.

Mal dissimula necessidades,
Os imperativos da carne
Impondo procura constante.

Quem a vê assim, distraída,
Não sabe o que esconde,
Avalanches de carícias
E tormentas de prazeres
Submetendo a quem encontra.

Fêmea em estado máximo,
É sagração à volúpia e ao êxtase,
Uma oferenda ao deus amor.

Francisco Costa
Rio, 02/06/2014.
Os meus melhores momentos
Os ostentei de peito nu,
Em exposição ao vento.

Precoce atleta frustrado,
Seminu fiz gols, saltei cercas,
Apossando-me da infância,
Na coleta dos frutos mais doces.

Cresci avesso a camisas e blusões,
Ostentando-me natural e simples,
Arquitetura de muitos ossos
E carne pouca, quase nenhuma.

Avesso a disfarces e dissimulações,
Sempre que me vesti inteiro
Me permiti só um pedaço,
Criteriosamente escolhido.

Mesmo quando me recolhi
Em contrita oração
O fiz de peito nu.

Camisas são máscaras do coração.

Não repare então
Se eu recebê-lo assim.
Só com a porteira aberta
Pode se observar o jardim.

Francisco Costa.
Rio, 31/05/2014.