sábado, 11 de abril de 2015

AS VOVOZINHAS

Agora elas passam avós,
compenetradas e apressadas,
entre netos e rituais religiosos,
com as  cabeças nevadas
e os corações cansados.

Algumas me cumprimentam,
ornamentadas em sorrisos,
istmos entre o ontem e o agora,
meninas ainda, embora antigas,
passeando nas próprias memórias.

Outras há que disfarçam os olhares,
sempre rápidos e aflitivos,
em vã tentativa de amnésias,
alzáimeres, borrachas na lembrança
ativa, e que ainda as anuncia mulheres,
esses esquivos seres fugindo de tudo,
até de si mesmos corados, intimidados
pelo que incomoda porque ardendo.

Vovozinho ousando mais um olhar
entendo quando me dizem
que velhinhos são crianças
esquecidas dos compromissos,
arrastando corpinhos gastos
porque já muito usados.

Francisco Costa
Rio, 08/04/2015.

Um comentário:

  1. Sou avó...mas não vovozinha como seu belo poema descreve-a.

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