sábado, 21 de dezembro de 2013

Óbice de venerandas intenções,
Um corpo nu se põe ao alcance,
Perdição em toda a totalidade.

Agora de nada vale qualquer coisa,
As admoestações paternas,
Os conselhos do pároco de prontidão,
A psicoterapia, os compromissos,
A racionalidade imposta como norma,
A disciplina e a contenção.

Há um corpo nu diante de mim
E isto basta para inflamar Alexandria,
Queimar em mim os vestígios de livros,
Toda a pretensa sabedoria, o acumulado
Em momentos de ausências de corpos nus.

Despido do que o camufla e subverte,
Incita-me, gladiador contemporâneo,
A combates na cama, escaramuças no dia.

Quente e úmido, impiedosamente desejado,
Faz-me guerrilheiro em missão, bandeirante
Em exploração, aventureiro em exercício,
Cumprindo sua lógica, seu destino, seu ofício:

Amar, e amar em intensidade tanta
E tão completa que o mais se perca
E se anule nas ruas do mundo,
Esse pretexto fecundo que nos incita
À conjugação do verbo amar:
Eu amo, tu amas, nós amamos...
Porque só assim nos justificamos.

Francisco Costa

Rio, 17/12/2013.

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