sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

INFELIZ ANIVERSÁRIO!

(conversa de pai e filho)

Sabe, filho, a exatos quarenta e cinco anos,
Em dia nublado e triste, como hoje,
Homens maus decretaram o luto da pátria.

Saídos de porões sombrios, úmidos, frios,
E incomodados com a luz do sol e as cores,
Estranhas para eles, resolveram apagar.

Sentaram-se e redigiram um édito de nãos,
Banindo os gnomos que traziam sorrisos
E as fadas que semeavam esperanças.

Colocaram cadeados nos portões,
Zíperes nas bocas, erigindo a delação,
A tortura, a morte e a prisão
Como contas de estranho rosário,
Soletrado em babas de medo
E com a dicção do ódio.

Nomearam interventores na felicidade
E sindicantes no que se pode realização,
Cuidando de apagar poemas e crônicas,
Queimar telas, relegar a segundo plano
Qualquer coisa que cheirasse a pensamento.

Pensavam-se eternos, definitivos, pra sempre,
E em nome disso semearam o caos,
Uivos proferidos em sangue,
E amargores nas madrugadas vazias,
Descrentes de possíveis amanheceres.

Mas se foram, e hoje apodrecem
Em cemitérios, memórias e livros,
Tornando-se húmus, esterco, adubo
Para sementes que agora germinam,
Trazendo a luz do sol e as cores.

O nome desses homens maus não ouso dizer,
Meu filho, devem permanecer mortos,
Repousando a ignomínia no silêncio do alheio,
Só ocasionalmente sendo citados como opróbrio,
Vergonha, mau exemplos de seres covardes
Dedilhando nas teclas do sofrimento.

Hoje, exatamente hoje, execramos
O dia em que a lisura da história
Conheceu uma dobra, um vinco,
E o inferno, maléfico e cruel, pariu
O ato institucional número cinco.

Francisco Costa

Rio, 13/12/2013.

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