No cordão dos mutilados
tem meninos esbagaçados,
pais perdidos, aleijados,
sangue e lágrimas na areia,
corpos exangues, na dor
que os aparta e permeia.
No cordão dos mutilados
a música é monocórdica,
de estampidos e bombas,
em ritmo repetitivo e oco,
num coral de sombras.
Na passarela da Palestina
desfila estranho cordão,
ostentando cruel enredo:
os fornos crematórios
que ontem arderam lá
agora ardem aqui,
semeando caos e medo.
Francisco Costa
Rio, 24/07/2014
Aqui é o cantinho onde me desnudo, e livre das roupas das convenções, da preocupação de me mostrar palatável, politicamente correto, em média com o próximo, me dou inteiro, sem predicados e adjetivos, nos meus versos, nos meus poemas, na minha literatura. Bem vindo. Espero que goste.
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
QUASE RÉQUIEM
Enlevado e surpreendido
assisto-me prelúdio
de um réquiem próximo.
Descolorem-se as pétalas
e o sol, alheando-me
penumbra rápida
que se estende no varal.
Olho-me como se a outro,
esse olhar baço no espelho,
em prólogo de não se olhar,
reduzido a comentários,
memórias e referência.
Entre o ontem e o amanhã
assisto-me quase ausência
postada no nunca mais.
Já as borboletas e os versos,
estes continuarão.
Francisco Costa
24/07/2014.
assisto-me prelúdio
de um réquiem próximo.
Descolorem-se as pétalas
e o sol, alheando-me
penumbra rápida
que se estende no varal.
Olho-me como se a outro,
esse olhar baço no espelho,
em prólogo de não se olhar,
reduzido a comentários,
memórias e referência.
Entre o ontem e o amanhã
assisto-me quase ausência
postada no nunca mais.
Já as borboletas e os versos,
estes continuarão.
Francisco Costa
24/07/2014.
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