sexta-feira, 28 de junho de 2013

Sempre que o sol vai dormir
coloco aquela nossa canção.

Imediatamente navego em acordes,
imaginando você aqui, distraída e nua,
olhando estrelas na janela, dizendo
aquela é minha, encontrei no dia
em que te encontrei na chuva.

Então entendo que a morte é uma ponte
e o pedágio é a saudade. Me sento e,
chorando ou rindo, escrevo mais um poema,
para que me perguntem quem é a musa.

Respondo: ficcional, mas você sabe,
chamo ficção o que chamariam memória,
um cantinho em mim em que ainda mora,
sem roupa e sem maquiagem, uma imagem
que me devora. Só então vou dormir.

Francisco Costa

Rio, 06/05/2013.

DAS RETICÊNCIAS E DO PONTO

Sempre que me deparo
Com o o incognoscível
Deixo-me em reticências.

Assim, Deus é ...
Como ... é o universo
Porque se ondas ou partículas,
Real ou virtual, só pensamento,
Aberto ou fechado, esférico,
Limitado ou ilimitado,
Único ou um de muitos,
Fica tudo, por hora, em ...

E a vida essa particularidade
Da matéria em evolução,
Até tomar forma humana
E criar consciência de si ...

É poeira de estrelas
Que em si gera organização,
Obra do acaso ou determinação
Prisioneira das metafísicas?
Respondo em ... Não sei, não sei.

Mais adiante, átomos dissociados,
Migrando do meu corpo para fora,
Para habitar organismos outros
Ou se dispersar no espaço,
A minha consciência ...

Perscrutar ... é a missão do homem.
Das suas perguntas nascem as artes,
As ciências, filosofias e religiões.

Os que já encontraram respostas
E têm tudo explicado
Depararam-se com o ponto final.

Deixemo-los com suas verdades.
Aprendi que ... são três pontos, e
Três pontos valem mais que um.


Francisco Costa