domingo, 2 de junho de 2013

A SOMBRA

Tomado de encanto, como sois acontecer
Aos arrebatados da inspiração,
Em átimo de tempo navego integral
em momentos da minha própria existência.

Do berço a já quase ao túmulo
Vago becos e labirintos, penetro escarpas,
Incólume e protegido, amparado,
Como quando ainda projeto em um ventre.

Nada me perturba ou me atrapalha,
Qualquer coisa, pouca para me deter.

Caminho na sombra e na sombra prossigo,
Confiante, protegido, entregue à sombra.

Impróprio às derrotas definitivas,
Às interdições permanentes, ao medo,
Às desistências e recuos, é a sombra
Que ordena, empurra, grita: vai, segue!

E hoje, só um menino na sombra,
Reconhecedor que fora da sombra sou nada,
Me prostro em louvação à sombra:
Minha mãe!

Francisco Costa

Rio, 11/05/2013.

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