terça-feira, 7 de maio de 2013

OUVINDO HAENDEL


Ouço Haendel.
Pássaros em bandos revoam na relva,
fadas tecem o manto saudade,
ajudadas por anjos e querubins.
Violeiros perdem-se nas estradas da vida,
vultos vão sem se voltarem para o adeus.

Ouço Haendel.
E é um instante mágico:
flutuo leve e breve sobre campos floridos,
danço em acordes angelicais,
morro numa pausa para renascer,
viscoso imaterial, no acorde seguinte.

Ouço Haendel.
Simbionto o céu e saio de mim mesmo.
Pairo, misto de sonhos e luzes,
sobre o meu corpo incandescente.
Bétulas mesclam-se nos meus olhos,
petúnias, avencas, lótus jorram
enovelando-se no meu corpo etéreo.

Ouço Haendel.
Transporto-me a um prado de amazonas,
doces fêmeas montando corças e renas,
saudando-me com o sorriso teificado das deusas.

Ouço Haendel.
Supero-me, escrevo, tento eternizar o instante,
tateio, procuro... E só você não está aqui.

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